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Viajar com alergia alimentar. Os principais cuidados a seguir!

30 ago, 2012   //   por admin   //   Saúde  //  Sem comentários

Nem todas as reações adversas a alimentos são reações alérgicas. A confirmação deste diagnóstico é feita na consulta da especialidade de alergologia, onde, com base na história clínica, se realizam testes cutâneos com extratos comerciais de alimentos ou com os próprios alimentos.

Estes testes complementam-se com análises ao sangue. Da lista de alimentos que mais frequentemente dão reações alérgicas no adulto, constam o marisco, a fruta fresca e tropical e o ovo.

Mas também o amendoim, os cereais e os peixes podem dar  reações de hipersensibilidade. Na criança, o leite de vaca é o principal, sendo muitas vezes transitório, mas cada vez se observam mais casos de persistência desta alergia nos adolescentes e adultos.

As reações alérgicas a alimentos podem ter vários graus de gravidade, desde as mais ligeiras e banais, como a síndrome da alergia oral, a reações fatais. Na síndrome de alergia oral, há envolvimento da mucosa labial e região peribucal, com comichão, inchaço e/ou vermelhidão. Outros casos apresentam vômitos, gastroenterite, rinite, asma, urticária e angioedema. A mais grave, a anafilaxia, pode conduzir à morte.

Medidas a tomar

A reação pode ser desencadeada não só pela ingestão dos alimentos, mas  também pelo simples contato com a pele (mais frequentemente com tomate, alho, cebola ou batata) ou por inalação de vapores de cozedura de alimentos.

- Evite o alergéneo. Para isso, o ideal  é preparar a sua comida.

Caso contrário, terá que investigar afincadamente quais os alimentos do prato.

- Leve na bagagem medicamentos para tratar as reações alérgicas como, os anti-histamínicos. Para os casos muito graves, recomenda-se a adrenalina, que existe numa caneta-seringa e que todas as pessoas com alergia alimentar grave deverão ter sempre consigo.

- Marque uma consulta de alergologia e uma consulta do viajante com, pelo menos, um mês antes de partir em viagem.

Texto: Filomena Falcão (alergologista)

 

Peregrinação a pé. Todos os cuidados a ter antes de se aventurar na estrada.

As viagens a pé podem provocar vários problemas, sobretudo associados aos aparelhos locomotor e cardio-respiratório.

Os principais alvos do desgaste são os membros inferiores e os pés, pelo contacto repetido com o solo.

O sistema cardio-respiratório será mais suscetível aos esforços relacionados com a velocidade da marcha, as subidas e o aporte de líquidos, sais minerais e energia (sobretudo à custa dos alimentos).

Quanto maior for a idade, mais necessária uma avaliação médica antes de iniciar o treino para a caminhada. O médico assistente deverá fazer a avaliação clínica e analítica e, existindo dúvidas, enviar o viajante para as especialidades médicas respetivas. O planeamento adequado deste tipo de peregrinações permite-lhe antecipar e prevenir eventuais problemas que possam surgir.

Distância

Quanto maior for a distância, maior será o desgaste. O número de quilómetros recomendado varia entre 20 e 30 por dia, tendo sempre em conta o acidentado do terreno. Aconselho a estudar bem cada etapa, de forma a não exagerar na programação para cada dia. Neste tipo de peregrinação os caminhos podem ser mais acidentados. São também mais interessantes, convidando a paragens e contemplação. Considere estes fatores na preparação da viagem.

Antes de partir

O treino é fundamental. Está recomendado fazer marcha diária de, pelo menos, cinco quilómetros, dois meses antes da peregrinação. Deve andar com um passo largo, ritmado e inclinando o corpo ligeiramente para a frente.

É durante este período que o viajante avalia o seu estado físico, problemas e dificuldades, prevenindo situações mais graves que possam surgir na peregrinação. O treino pressupõe, também, a experimentação e adaptação aos materiais a utilizar durante a caminhada, passando pelo calçado, meias, outra roupa, bastões de marcha, peso e correias da mochila, chapéu.

O que deve levar a bagagem

Encontram-se bem difundidas por associações religiosas e organizações várias listas de material a ser utilizado pelos peregrinos e recomendações sobre comportamentos. Se tiver carro de apoio, divida a bagagem.

No carro leve uma muda de roupa para cada dia, um estojo médico (com medicamentos que toma habitualmente, anti-inflamatório em creme ou gel e em comprimidos, antipiréticos, hidratante, ligaduras elásticas, antiséptico e compressas).

Na mochila, leve bastões de marcha, chapéu, óculos de sol, protetor solar, capa de chuva, meias de reserva, garrafa de águ,  bolachas energéticas e frutos secos e/ou açúcar. Deve munir-se ainda de um saco-cama, de produtos de higiene pessoal, de uma toalha de banho, de um guarda-chuva e de uma lanterna.

Cuidados a ter na estrada

Estas são as principais recomendações que deve ter durante o trajeto:

- Caminhe em segurança.

- Use sapatos confortáveis, já experimentados por si no treino.

- Use sempre meias de algodão, sem elásticos nem costuras.

- Evite caminhar durante as horas de maior exposição solar.

- Beba muita água. Coma, de três em três horas, alimentos leves e de fácil digestão.

- Faça pausas de uma hora de manhã e de duas horas depois do almoço.

- Quando descansar, eleve os pés, mantendo os joelhos apoiados.

- À noite caminhe com sinalização luminosa e refletora e nunca sozinho.

Texto: Jorge Atouguia

 

Estou grávida: posso viajar? Saiba que cuidados deve ter antes e durante uma viagem de avião.

As grávidas, tal como as crianças, os doentes crónicos e as pessoas com deficiência, fazem parte do grupo dos viajantes especiais, podendo realizar viagens aéreas, desde que estejam saudáveis, a viver uma gravidez normal e sigam alguns cuidados.

No caso dos voos domésticos, as companhias aéreas permitem que as grávidas viajem até às 36 semanas de gestação.

Contudo, caso se trate de uma viagem internacional, a futura mãe só poderá embarcar até às 35 semanas, apresentando um atestado do obstetra que comprove que o pode fazer.

A altura ideal para viajar

De acordo com o  American College of Obstetrics and Ginecology, a altura mais indicada para a grávida viajar ocorre no segundo trimestre da gravidez, período em que, regra geral, «esta sente-se melhor e os riscos de ocorrência de um aborto espontâneo ou parto prematuro são muito menores».

Caso a mulher esteja grávida de gémeos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), por norma só terá autorização para andar de avião até ao  final da 32ª semana de gestação.

Consulta do viajante

Antes de viajar, é importante que procure o aconselhamento do seu médico obstetra.

Para além disso e em função do destino, segundo Jorge Atouguia, especialista em Medicina do Viajante, deve «fazer uma consulta do viajante porque a grávida pode necessitar de vacinas e medicações especiais que podem ter implicações na gravidez. Se necessário, o especialista em Medicina do Viajante e o obstetra deverão contactar-se para decidir sobre os aspectos técnicos das medidas preventivas.»

Existem determinados casos que, segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), podem constituir potenciais contra-indicações para uma viagem internacional durante a gravidez. Entre elas encontram-se situações como antecedentes de aborto, colo uterino incompetente, antecedentes de gravidez ectópica, de parto prematuro ou rompimento prematuro das membranas, antecedentes ou existência de problemas da placenta, ameaça de aborto ou sangramento vaginal durante a gravidez.

O CDC aponta ainda outros casos potencialmente impeditivos da realização de uma viagem internacional como situações graves de asma ou outras doenças pulmonares crónicas, hipertensão, diabetes, insuficiência renal, entre outros

Destinos a evitar

São também indicados, por este organismo norte-americano, quatro situações de risco no que toca ao destino da viagem:

- Zonas de altitude elevada

- Zonas endémicas ou com surtos de doenças fatais provocadas por insectos ou alimentos contaminados

- Zonas endémicas de malária transmitida pelo protozoário plasmodium falciparum, resistente à cloroquina (antimalárico)

- Zonas onde a toma de vacinas vivas atenuadas é obrigatória ou recomendada

Como explicou Jorge Atouguia, em declarações à saber viver, «a grávida não deve fazer vacinas vivas atenuadas, como a da febre amarela. Assim, destinos em que esta vacina seja obrigatória estão desaconselhados a grávidas que o tenham de fazer (no caso das mulheres que o fizeram antes de engravidar não há problema).»

«Porque idealmente a grávida não deve adoecer, todos os destinos onde exista um risco elevado de contrair alguma doença devem ser evitados, assim como aqueles em que possam existir traumatismos possíveis para o bebé (viagens longas, por estradas degradadas por exemplo)», acrescenta.

Outros cuidados

Informação médica Não se esqueça de levar consigo todo o historial clínico desde o início da gravidez, designadamente o boletim de saúde, ecografias e resultados de análises. Leve também um kit de farmácia receitado pelo obstetra e questione-o sobre o que fazer em caso de doença.

Seguro de saúde Deverá fazer um seguro de viagem e colocar cópias da documentação em malas diferentes. Convém registar o telefone de contacto internacional da seguradora e o contacto telefónico local.

É importante que se informe sobre os serviços de saúde no destino, confirmando assim a existência de hospitais, serviços de urgência (públicos e privados) e se pode utilizar o seu seguro de viagem.

Aparelhos de segurança Apesar de a exposição à radiação dos aparelhos de segurança do aeroporto significar riscos mínimos para a mulher grávida e para o feto, se o desejar poderá solicitar ser revistada por uma funcionária do aeroporto.

Sinais de alarme Sangramentos vaginais, dores abdominais ou cólicas, contracções, ruptura de membranas, excessivo inchaço das pernas, dores de cabeça e problemas visuais são apontados pelo CDC como situações em que se  justifica recorrer imediatamente a cuidados médicos.
Descubra agora os cuidados que deve ter durante o voo aqui.

Texto: Fabiana Bravo

 

Saúde em viagem. Viagens tropicais e exóticas sempre em segurança.

O tempo é de férias. Para todos aqueles que procuram destinos tropicais e desejados há muito, todo o cuidado é pouco. Há que desfrutar e aproveitar todos os momentos, seja em lazer ou em estadias profissionais.

Para prevenir todos os riscos que se podem cruzar consigo durante uma viagem, existem consultas do viajante em vários hospitais do país que podem ser essenciais para que os dias fora de Portugal sejam de sonho e não se transformem num pesadelo.
Nem todas as pessoas a conhecem ou sentem alguma vontade de a frequentar.

Talvez porque desconheçam o conjunto de informações relevantes que irão adquirir e os riscos que podem evitar se marcarem uma consulta do viajante. A sua importância é sobejamente conhecida.

“Trata-se de uma consulta de riscos em que se pretende estabelecer o risco que determinado viajante terá ao deslocar-se para determinadas zonas”, esclarece o Dr. Jorge Atouguia, especialista em doenças infeciosas e em Medicina Tropical do Instituto de Medicina Tropical e diretor clínico da Clínica de Medicina Tropical e do Viajante.

Na consulta, é necessário saber quais são as suas condições de saúde, quais são os riscos que existem no(s) destino(s) que irá visitar e quais são as atividades que o viajante vai desenvolver que poderão aumentar ou diminuir o risco. “Vivemos num local específico durante a maior parte do ano, temos hábitos regulares e o nosso organismo está adaptado a essa realidade”, acrescenta o infeciologista.

Quando uma determinada pessoa se desloca, seja em trabalho, seja em lazer, é importante prevenir que adoeça durante a estadia de forma a não comprometer a sua ida e o seu regresso.

Jorge Atouguia defende que “esta consulta é indicada sobretudo para sensibilização das pessoas para as formas de prevenção dos riscos que podem surgir. Felizmente, já começo a receber muitas pessoas na consulta, não só para fazer vacinas mas para perceber, na prática, quais os riscos associados à viagem. Todos os anos podem surgir novos riscos para o mesmo destino porque as situações epidemiológicas dos viajantes estão sempre a mudar e porque em qualquer momento pode surgir um novo surto epidémico, sobretudo nos destinos tropicais.”

Isto significa que ainda que o leitor viaje regularmente para um mesmo local, não está isento de riscos. “Esta é uma ideia errada. Quando viajamos com muita frequência para uma mesma área, sobretudo nos países de expressão portuguesa, vamos pensando que estamos cada vez mais seguros e vamo-nos adaptando ao destino e já nos sentimos em casa”, explica Jorge Atouguia reforçando que “se formos para a China e para a Tailândia, já nos lembramos mais facilmente de eventuais riscos”.

Doenças comuns em algumas viagens
A diarreia do viajante é claramente a doença mais frequente. Alguns destinos, devido às suas condições de ecossistema, são mais quentes e húmidos e com menores condições de qualidade alimentar. Refira-se ainda o problema da falta de água potável em alguns destes destinos.

“De seguida, temos a malária que é uma doença menos frequente mas que pode evoluir para formas muito graves e até mesmo para a morte sobretudo para quem nunca teve a patologia”, esclarece Jorge Atouguia. É uma patologia que pode evoluir muito rapidamente e o problema chave está nas pessoas que nunca a contraíram. “A pessoa que já teve várias vezes a doença durante a vida foi criando algum tipo de imunidade e os sintomas diminuem de intensidade.

As pessoas que nunca tiveram malária devem ter sempre o máximo de cuidado do ponto de vista da infeção”. O mosquito responsável pela transmissão da malária pica à noite, entre o pôr e o nascer do sol. Dá pelo nome de anopheles e invade os quartos dos viajantes sem pedir autorização. “Por isso, pedimos às pessoas para terem alguns cuidados com os quartos onde vão ficar instalados. Devem ser muito bem protegidos, e, de preferência, ter ar condicionado, ventilador e/ou rede mosquiteira”, esclarece o infeciologista.

Na África subsariana, pode sempre haver risco de contração da malária pois a maior parte dos países são endémicos mas na Ásia o risco depende se as zonas são rurais ou urbanas. “A malária não é uma questão de países mas sim de locais. É a diferença entre ter de se fazer ou não a prevenção adequada”, defende Jorge Atouguia.

De salientar alguns problemas dermatológicos resultantes das picadas de insetos. O viajante deve usar roupas que cubram o corpo. “As moscas podem picar e produzir lesões dolorosas e dependendo dos locais para onde as pessoas vão, podem ter contacto com escorpiões ou aranhas sendo as preocupações são acrescidas.”

Do dengue à febre-amarela
O dengue é também uma doença relevante para o viajante sobretudo se se viaja para países com surtos epidémicos. “Neste momento, com o começo das chuvas, tem-se assistido ao aumento de dengue em algumas regiões do Brasil e já vai surgindo na índia e no Sudeste Asiático”, adianta Jorge Atouguia.

O dengue provoca febre, dores ósseas, dores articulares, cansaço extremo mas é uma doença autolimitada e benigna (para quem nunca teve a doença anteriormente).

“O problema é que se a pessoa voltar a ser infetada por um serotipo diferente de dengue poderá desenvolver manifestações hemorrágicas, o que significa que não convém ter a doença pois as vezes subsequentes podem ser muito mais complicadas do que quando se contrai dengue pela primeira vez. Há poucos países onde existe apenas um serotipo da doença”, salienta o infeciologista.

A febre-amarela não constitui grande preocupação porque existem regras internacionais de sanidade que obrigam a que os viajantes sejam vacinados contra a doença. “Poderá ser um risco importante para as pessoas que vivem nas zonas endémicas e que não estão cobertas pela vacina”, adianta Jorge Atouguia.

Farmácia de viagem e bom senso. Sempre!
- Deve levar sempre consigo os produtos que usa por rotina. “Aconselha-se ainda que levem os medicamentos que os médicos prescrevem para prevenção de algumas doenças endémicas, como por exemplo, a malária, quando assim se justifica ou para doenças que possam surgir. Os outros medicamentos que os viajantes devem transportar estão relacionados com as atividades a desenvolver nos locais de destino”, defende o especialista em Medicina Tropical.

- Além disso, é importante não esquecer os repelentes para proteção dos mosquitos e protetores solares se vão para zonas onde vão estar expostos ao sol.

- O pânico pode também originar o descanso excessivo. “Passa-se de um extremo para outro com relativa facilidade. Somos muito de excessos entre o super pânico e o super alívio, o que pode ser perigoso. Devemos estar sempre alerta”, conclui Jorge Atouguia.

- As doenças de transmissão sexual são muitíssimo relevantes para determinados grupos etários e géneros. “Ainda há muito turismo sexual sobretudo para pessoas com estadias de média / longa duração”, alerta o especialista.

- “É importante que as pessoas se mantenham alerta depois do regresso porque há manifestações que só surgem passado algum tempo da transmissão da doença ou da infeção”, defende Jorge Atouguia. Ou seja, o facto de não terem contraído determinada doença durante a estadia não significa que o viajante esteja isento de risco após o regresso.

Onde ir?
A maioria dos hospitais já tem esta consulta e o Instituto de medicina Tropical também. Pode ainda dirigir-se à Clínica de Medicina Tropical e do Viajante, onde Jorge Atouguia dá consulta pelo número de telefone 213 225 621.

Texto: Cláudia Pinto

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